quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma, tempo de descobrir que o amor é possível

O pecado é o maior obstáculo para o amor


Em poucos dias, na Quarta-feira de Cinzas, começaremos um período litúrgico importante da nossa fé católica: a Quaresma. O tempo quaresmal, eminentemente penitencial, em preparação para a Páscoa, é o propício momento em que todos nós, fiéis batizados, somos convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade, com realce especial ao jejum e à abstinência. Contudo, só se compreende a Quaresma por intermédio do olhar de um Deus, que se encarna, morre e ressuscita por amor a cada um de nós. Isso mesmo, Deus mergulha na epopeia e tragédia da vida humana para nos resgatar das correntes do pecado e dar-nos a vida eterna.
A Quaresma está intimamente conectada com o desejo de felicidade e infinito, latentes em cada coração humano. Sem ela não se entende o ser cristão, sem ela não se entendem os mistérios da indigência e da grandeza humana. Constata-se por muitos espaços da vida humana um mar de tristezas e frustrações. A depressão, segundo dizem, é o mal de nosso século. Nunca sentimos tanta falta de infinito, e nunca estivemos tão presos ao efêmero, ao passageiro, ao transitório, àquilo que não gera relações humanas, valorizando demasiadamente o virtual e nos esquecendo do real, da dor, das misérias, da pobreza, da violência e das misérias morais que relativizam o belo e o sagrado e geram a cultura do descartável.
O que impede o coração humano de encontrar a felicidade? Muitas são as respostas, muitos estudos são apresentados diariamente nos meios de comunicação. Buscam-se explicações psicológicas, sociais, econômicas, políticas, entre outras. Mas são poucos os que chegam ao fundo do problema. A verdadeira e plena felicidade só será alcançada quando passarmos pela via quaresmal, caminho de purificação e penitência, que nos liberta, por meio da graça, dos grilhões do pecado.
O pecado é o maior obstáculo. Infelizmente, estamos imersos numa cultura que o comercializa. O mais triste é que, ao buscar a felicidade, a humanidade parece afundar-se cada vez mais no lodo e morre sufocada pelo veneno do pecado, que destrói almas e sonhos. E é a própria sociedade que promove esse tipo de vida, se questiona dos porquês dessas realidades que contaminam o orbe sem se importar com as condições econômicas ou sociais das pessoas.
A maior alienação é a incapacidade de perceber o quanto o ser humano se quebra quando se entrega ao pecado. Existe uma desintegração espiritual que se manifesta na sociedade e prolifera em estruturas. Ele nasce pessoal e, em proporção com a matéria, gravidade e circunstâncias, gera o mal social.
O reconhecimento de nossas misérias e fraquezas diárias é o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus. O pecado é a desintegração da nossa natureza e aliena nossa vida da realidade eterna a qual todos nós somos chamados. A penitência não é masoquismo, mas reconhecer de modo concreto e visível a nossa indigência e necessidade. Ela nos coloca no caminho do perdão, que é o resgate da unidade perdida pelo mal. O salmo penitencial 51(50) exclama, com beleza poética, o drama do pecado e a recuperação do Rei Davi. A primeira coisa que o pecado ataca é nossa consciência, ou seja, a capacidade de perceber e distinguir o mal e o bem. O Rei Davi possui a graça de ter um grande amigo, o profeta Natã. Este, sem medo das consequências e guiado pela força do Espirito Santo, o [Davi] acusa do seu pecado. A paz e a felicidade voltam ao rosto do rei de Israel apenas quando ele reconhece e deseja reparar o mal cometido.
O pecado nos coloca no sono mais profundo e nos impede de encontrar a paz que deve reinar em nossas vidas. Só por intermédio da paz, que nasce do encontro com Cristo misericordioso, ao nos arrependermos, poderemos encontrar a felicidade. Os verdadeiros amigos são aqueles que nos ajudam a despertar e a ver a realidade em toda sua complexidade, como fez Natã com Davi. Eles são capazes disso não porque sabem mais ou são mais capacitados, mas, sim, porque nos amam. Como está escrito em Eclesiástico: “O amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro” (Eclo 6,14).
A crise de felicidade está proporcionalmente relacionada com uma crise de amizade. Poucos encontram verdadeiros amigos. Muitas vezes, não sabemos ser bons amigos. Neste clima de preparação para a Jornada Mundial da Juventude, que será sediada na cidade do Rio de Janeiro, conclamo ao jovem: desperte com o encontro com Cristo, o dom da amizade. Não se pode ser cristão sozinho. Jovem evangeliza jovem. Com razão impacta, positivamente, milhões de pessoas a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude, no encontro com Cristo juntamente com o Santo Padre o Papa. Nessas jornadas, os jovens descobrem que a amizade já existe entre eles, pois todos possuem em comum o grande Amigo Jesus Cristo, Aquele que nunca nos abandona.
Dizem que hoje as pessoas não querem se relacionar, desejam apenas se “conectar”, pois é mais fácil colocar o outro em “off”. O medo de criar laços sólidos brota, em muitos casos, da incerteza do amor. O pecado apaga de nossas vidas a certeza de que é possível amar. A fragmentação de nosso ser, oriunda do pecado, nos impede de confiar no outro.
Assim, neste importante tempo de Quaresma despertemos novamente o nosso desejo de felicidade. Purifiquemos nossas almas do pecado, que obstaculiza o encontro com Cristo, Amigo capaz de nos guiar com passos seguros. Como o Rei Davi, peçamos a Deus piedade por nossos pecados. Não tenhamos medo de reconhecer nossas transgressões.
Deus conhece nosso ser, ama a verdade e nos ensina a sabedoria. Ele nos dá a felicidade, o júbilo e nos purifica de todas as iniquidades, fazendo-nos “mais brancos do que a neve”. Sobretudo, Deus cria em cada um de nós um coração novo com a ajuda da penitência e do perdão sacramental. A via quaresmal, bem vivida, despertará em nós um espírito firme e devolverá o júbilo da salvação (cf. Sal 51).
Que nesta Quaresma tenhamos a coragem de fazer uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça, no caminho bonito do itinerário do seguimento e discipulado do Redentor!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Quer fazer bem todas as coisas?

Aprenda com Jesus a não deixar nada pela metade

"Ele tem feito bem todas as coisas" (Mc 7,37). Com essa frase do Evangelho de São Marcos, podemos ver um traço da personalidade de Jesus. Era um homem maduro em todos os sentidos. A maturidade é sinônimo de eficiência, eficácia e simplicidade. Em suma, maturidade é sinônimo de santidade!
Afetivamente: maduro! Psicologicamente: maduro! Politicamente: maduro! Espiritualmente: maduro! Jesus Cristo era tão maduro que, no derradeiro dia, prestes a entregar-se nas mãos do Pai Celeste, afirmou: “Tudo está consumado!” (Jo 19,30). Que êxito! Os seus 33 anos bem vividos. Não faltava nada! Tudo foi "bem" feito. Não deixou as coisas "pela metade". Não precisou de um dia a mais. Nem mesmo um minuto além do que Lhe foi dado. Tudo consumado! Bem diferente de algumas pessoas que chegam ao final da vida com “tudo consumido”. Que incrível diferença faz uma única letra: consumado, consumido. Que alegria seria se muitos dos nossos políticos pudessem ter um fim de mandato semelhante ao de Cristo. Que honra seria saber que muitos padres, pais, médicos, professores, profissionais das mais variadas áreas, encerraram a carreira com tudo “consumado” e não “consumido”!
A maturidade de Cristo se dá não apenas por talento pessoal ou predisposição genética. É verdade que Seus pais: Maria e José, eram justos; isto é, cumpriam fielmente o que lhes era recomendado pela lei religiosa. Mas acima de tudo, Jesus aprendeu isso de Seu Pai Celeste. No início da Bíblia, vemos que Deus criou o mundo e viu que tudo era bom (cf. Gn 1,10). Ou seja, a obra do Todo-poderoso é boa! É bem feita! É perfeita!
Que necessidade temos de aprender essa qualidade de Jesus! Quantas vezes deixamos as coisas por fazer, ou fazemos as coisas de qualquer jeito. Neste mundo escravo do tempo e intoxicado por múltiplas tarefas, descobrimos homens e mulheres apressados, estressados e doentes porque não conseguem cumprir uma agenda, atender todas as solicitações e corresponder a todas as expectativas.
Talvez o grande problema seja nossa extrema capacidade de complicar as coisas que são tão simples. Conseguimos tempo para tudo o que é secundário e deixamos de lado o que é essencial. A escala de valores foi perdendo sua textura natural e acabamos por colocar em primeiro lugar itens que não garantem um final feliz. A vida se torna pesada demais quando colocamos mais peso no telhado e nos esquecemos de fortalecer o alicerce da própria casa. Que o digam os engenheiros encarregados de justificar os desabamentos, causadores de muitas mortes, que vimos nos noticiários nacionais ultimamente.
A estrutura humana ideal é aquela que se assemelha à do Nazareno. Vivia com simplicidade. Valorizava os relacionamentos e dava chance até mesmo àqueles que potencialmente poderiam feri-Lo (Judas). Não se deixou prender pela mágoa, perdoava sempre (“Perdoai-os, eles não sabem o que fazem” – Lc 23,34). Não era preso à própria opinião, sabia submeter-se (“Que se faça a tua vontade, o Pai; e não a minha!” – Lc 22,41).
Era íntegro o bastante para não se afligir com a opinião alheia, acolhia pecadores e excluídos. A todos tinha uma palavra pacífica e orientadora (“Bem-aventurados os mansos!” – Mt 5,5 ). Amadureceu sem se desviar do motivo da própria existência. Aliás, tinha um sentido claro da própria vida (“Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância!” – Jo 10,10).

Quer fazer bem todas as suas coisas? Imite Jesus!

Padre Delton Filho

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Eu não acredito em você

Durante muitos anos da sua vida ou até mesmo até os dias de hoje, pode ser que você tenha ouvido essa frase de muitos lugares e de muitas pessoas: Eu não acredito em você!
Pode ser que nem você mesmo acredite em você. Afinal, quem melhor do que a gente pra dizer se somos confiáveis ou não? Tantos projetos inacabados, tantas promessas não cumpridas, tantos planos frustrados, quem nos daria um voto de confiança?
A vida é cruel. Somos julgados por muitas ações que cometemos e, em muitas delas não tínhamos a intenção de fazer errado, mas fomos interpretados de forma incorreta e acabamos recebendo “toda culpa do mundo” por algo que não era para ser assim. Somos magoados e com isso nos isolamos em nosso mundinho, fugindo de tudo e de todos. Como forma de defesa, nós atacamos e com isso começamos a julgar.
Fomos tantas vezes julgados de forma errada que o que nos resta agora é seguir os mesmos passos e também assumir a forma de um magistrado e tecer sentença de condenação.
Eu não acredito em você!Agora são palavras que brotam dos nossos lábios. Não acredito mais nos homens, nas mulheres. Não acredito mais no governo e tampouco no Brasil. Nos pastores e líderes então, aí que não acredito mesmo! A raiva surge, a alma grita e, em confronto com o espelho você sabe que queria crer, mas será que se tem força para acreditar em alguém ou em si mesmo?
Nem sempre se tem força, coragem ou reação. São tantos empecilhos que nos acostumamos com nossa postura e assumimos a inércia como estilo de vida. Mas não foi pra isso que você foi criado.
Quando os céus e a terra se reuniram numa sinfonia gloriosa só para ver o seu nascimento, os anjos cantavam e o PAI se alegrava por mais um filho vir ao mundo. A terra, os anjos, o PAI, todos eles acreditam em você e sabem do seu potencial. Você é que esquece disso.
Como centro e primícia da criação, você é a obra mais especial que existe ou existirá em todo o universo. O próprio Deus se fez carne e morreu em seu lugar porque ELE ACREDITOU EM VOCE!
Tem um versículo na Bíblia que enche os meus olhos de lágrimas toda vez que leio:
“Ele verá o fruto do seu penoso trabalho, e ficará satisfeito” (Isaías 53:11)
Sabe o que significa isso? Mesmo que você erre, peque ou até mesmo que você não mais acredite em si mesmo, ELE acredita, e acredita tanto que fica satisfeito com você.
O penoso trabalho de Jesus, suas dores, chicotadas e a crucificação, valeram a pena quando Ele olha pra você. Ele acredita em você!
Mude seu foco, abra seu coração. Se quem te fez disse que você vale a pena, ninguém mais poderá dizer o contrário.
Volte-se para Jesus. Entregue suas dores e medos para Ele. Deixe-O cuidar de tudo. Simplesmente se renda.
Eu acredito em você – Diz o Senhor.
Na paz d’Aquele que nunca desistiu e nem desistirá de nós.


Felipe Heiderich
Pastor e apresentador de TV

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Cada instante da nossa vida é precioso

Há momentos na vida em que passamos por fases que nem nós mesmos somos capazes de explicar o que sentimos e o que está se passando em nosso interior. Em todas essas ocasiões, precisamos ter esperança e paciência com nós mesmos, porque todas as experiências da nossa vida são preciosas, mesmo quando não as entendemos. Nelas crescemos humana e espiritualmente.
O maravilhoso é saber que, em todos os momentos, Jesus está conosco e ao nosso inteiro dispor. Podemos depositar nas mãos do Senhor as nossas alegrias, dores, lutas, necessidades, anseios e desejos mais profundos, porque “em suas mãos tudo se afirma e tudo cresce” (I Cr 29,12) no tempo certo.

Jesus, ensina-nos a viver bem cada instante da nossa vida para que sejamos cada dia mais santos.

Obrigada, Senhor!

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago

Estou perdendo a fé! Tem como reencontrá-la?

Tem sim, e é muito simples, embora requeira coragem! Simplesmente experimente viver a partir daquilo que você acredita. Por exemplo, uma vez que você crê em Deus, perdoe, reze com simplicidade, ame a todos sem distinções, acolha as pessoas como são, não minta, ajude sempre que puder e siga, tão simples e verdadeiramente, exercitando-se em um modo de viver que seja coerente com o que você acredita.
Eu garanto que, sem demora, fazendo assim, sua experiência de fé será reavivada de forma rápida e muito concreta.

Ricardo Sá

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Amadurecimento

Aprenda a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.
A idade vai chegando e, com o passar do tempo, nossas prioridades na vida vão mudando - a vida profissional, a monografia de final de curso, as contas a pagar. Mas uma coisa parece estar sempre presente - a busca pela felicidade com o amor da sua vida.
Desde pequenas ficamos nos perguntando "quando será que vai chegar?" E a cada nova paquera, vez ou outra nos pegamos na dúvida "será que é ele?". Como diz o meu pai: "nessa idade tudo é definitivo", pelo menos a gente achava que era. Cada namorado era o novo homem da sua vida. Faziam planos, escolhiam o nome dos filhos, o lugar da lua-de-mel e, de repente... PLAFT! Como num passe de mágica ele desaparecia, fazendo criar mais expectativa a respeito "do próximo".
Você percebe que cair na guerra quando se termina um namoro é muito natural, mas que já não dura mais de três meses. Agora, você procura melhor e começa a ser mais seletiva. Procura um cara formado, trabalhador, bem resolvido, inteligente, com aquele papo que a deixa sentada no bar o resto da noite.
Você procura por alguém que cuide de você quando está doente, que não reclame em trocar aquele churrasco dos amigos pelo aniversário da sua avó, que jogue "imagem e ação" e se divirta como uma criança, que sorria de felicidade quando te olha, mesmo quando está de short, camiseta e chinelo.
A liberdade, ficar sem compromisso, sair sem dar satisfação já não tem o mesmo valor que tinha antes. A gente inventa um monte de desculpas esfarrapadas mas continuamos com a procura incessante por uma pessoa legal, que nos complete e vice-versa.
Enquanto tivermos maquiagem e perfume, vamos à luta. E haja dinheiro para manter a presença em todos os eventos da cidade: churrasco, festinhas, boates na quinta-feira. Sem falar na diversidade que vai do Forró ao Beatles. Mas o melhor dessa parte é se divertir com as amigas, rir até doer a barriga, fazer aqueles passinhos bregas de antigamente e curtir o som. Olhar para o teto, cantar bem alto aquela música que você adora.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele cara que você ama (ou acha que ama), e que não quer nada com você, definitivamente não é o homem da sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas - é cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mario Quintana

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Agrada-te do Senhor

Uma vez eu ouvi uma pessoa dizer:
“Agrada o Senhor que Ele satisfará o desejo do teu coração…”
E então eu fui procurar esse versículo na Bíblia, e me surpreendi ao descobrir que aquela pessoa havia distorcido o significado do versículo.
Percebi que na verdade, não estava escrito “agrada o Senhor”, ao invés disso estava escrito: “Agrada-te do Senhor…”.
Muitas pessoas passam desapercebidas por esse detalhe nesse versículo de Salmos 37, isso porque é muito mais cômodo para a nossa alma acreditar numa falsa) interpretação que nos beneficie a todo custo.
Porém, na verdade não é bem isso que está escrito.
Outro dia eu estava orando em pensamento assim:
“Ah Senhor, eu queria tanto que o meu escolhido fosse um homem assim e assim… Mas tu sabes Senhor, eu abro mão desse meu desejo, abro mão disso por Ti, abro mão dessa minha vontade para fazer a Tua vontade. Que seja feita a Tua vontade. Se esse desejo que eu tenho for da tua vontade, então ótimo. Mas se não for, eu não quero.
Prefiro abrir mão da minha vontade (que comparada a vontade de Deus é imperfeita) para viver a vontade de Deus para mim, que é perfeita (além de boa e agradável).”
E então, mais uma vez, o Espírito Santo trouxe a minha memória o pensamento:
“…Ao abrir mão da sua vontade, é possível que você receba a realização dela.”
Porque? Porque é justamente quando abrimos mão do que tanto queremos, que aquilo se realiza?
Porque esse é um princípio espiritual, ele está escrito na Palavra.
E se está escrito, podemos viver isso.
Vamos analisar o que diz em Salmos 37.4:
Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.
Esse versículo quer dizer o seguinte:
Agrada-te do SENHOR (que o seu maior “agrado” e prazer, seja o Senhor. Agrade a você com as coisas do Senhor) , e ele satisfará os desejos do teu coração (e então, como conseqüência disso, Ele satisfará os desejos do teu coração. Ou seja, Ele satisfará os desejos da tua alma, das tuas vontades. Ele vai te dar o que você deseja, o que você pensa e tem vontade).
Imagine viver isso…
Imagine Deus, o Senhor do Universo, olhando para dentro do seu coração, vendo o que você deseja, e satisfazendo a sua vontade…
Não é um sonho?
Não é o que todos gostariam de viver?
Pois é, está na Palavra de Deus esta promessa, está escrito que podemos viver isso.
Mas o que muitos esquecem é de observar que, para viver isso, há uma condição, uma condição que não é tão fácil como parece.
A condição está descrita no próprio versículo. Você precisa:
Agradar-se do SENHOR… em primeiro lugar.

Traduzindo:
Para viver isso, o seu maior “agrado” e prazer na vida precisa ser o Senhor.
Para poder viver isso, você precisa agradar a si mesmo (ter prazer) nas coisas DO Senhor (Agrada-te do), precisa ter prazer em fazer as coisas (a vontade) DO Senhor, e não ter prazer em fazer as suas próprias vontades.
Para viver isso, você precisa agradar-se mais (Agrada-te) com as coisas do Senhor do que com as suas próprias coisas, e do que com as coisas que este mundo oferece.
Simplificando: Para viver isso é necessário fazer a VONTADE DE DEUS.
E não a sua vontade.
É necessário que a vontade de Deus seja o seu maior prazer na vida, e quando isso acontecer…
A conseqüência disso será o seguinte:Ele satisfará os desejos do teu coração.
É assim que funciona esse princípio.
Deus é muito inteligente, não é?
As coisas não são do nosso jeito, são do jeito dEle.
Alguém poderia tentar manipular a Palavra de Deus e tentar driblar esse princípio dizendo (da boca pra fora) que “Deus é o seu maior agrado e prazer na vida…”.
Porém, não há como enganarmos a Deus. Ele sabe se isso é verdade ou não dentro de nós. Ele vê bem lá no fundo do nosso coração.
Durante muito tempo na minha caminhada Cristã eu tentei driblar esse princípio (risos). Me lembro que eu orava e dizia ao Senhor:
“Pai, Tu sabes que hoje em dia Tu és o mais importante na minha vida, e etc…”
Mas na verdade, no fundo no fundo… ainda não era.
E o Espírito Santo suavemente me dizia:
“E quanto a tal e tal coisa que você ainda não abriu mão?”
“E quanto aquilo e aquilo outro que Eu já te mostrei que você tem que mudar?”
“Como você pode dizer que Eu sou o mais importante, ou que Estou em primeiro lugar no seu coração, se você ainda não consegue abrir mão de certas coisas por Mim?”
E então eu me quebrantava e chorava na presença de Deus… Pedia a Ele que me transformasse mais e mais… E foi o que Ele fez.
Deus é tão sábio, tão Maravilhoso que estabeleceu regras perfeitas para que nós pudéssemos experimentar a boa, perfeita e agradável vontade dEle.
Hoje em dia eu realmente vivo isso. Realmente amo o Senhor acima de todas as coisas em minha vida. E como é bom viver “nesse lugar” em Deus. Um “lugar” onde nada nem ninguém pode nos atingir, nem nos fazer desistir, porque a nossa motivação não está em coisas passageiras, visíveis e corruptíveis… Mas está na eternidade ao lado dEle.
Hoje em dia eu tenho muitos testemunhos para contar que comprovam esse versículo de Salmos 37, poderia contar muitas historias vividas nesses anos, onde vi os desejos do meu coração serem realizados. Algumas vezes eu somente pensei, nem cheguei a orar… E Deus simplesmente realizou aquele desejo ao ouvir meu pensamento… Não é incrível?
Você quer viver isso?
Então faça o que diz em Salmos 37.4, agrade a si mesmo com as coisas do Senhor, faça a vontade dEle. Pois o que mais agrada a Deus é isso, fazer a vontade dEle. E a maior vontade dele é que Ele seja o centro no seu coração.
Quando Ele ocupar o primeiro lugar no seu coração, nas suas vontades, nos seus pensamentos… Aí sim, Ele satisfará os desejos do seu coração.
Ele não abre mão do lugar dEle dentro de você:
O primeiro lugar no seu coração pertence a Ele.
Ele tem que ser o seu maior agrado, o seu maior prazer nesta vida.“Agrade a você mesmo com as coisas do Senhor, e aí Ele satisfará seus desejos e vontades…”

Que Deus te abençoe.

Missionária Sarah Sheeva