Hoje é um dia de silêncio e recolhimento, de jejum e penitência. Hoje não tem
vídeo-game para as crianças, não tem som alto dentro de casa... Estamos vivendo
um lindo dia por sinal.
Repita comigo: “Onde abundou o pecado,
superabundou a graça” (Rm 5,20). Trago outra tradução: “Onde proliferou o
delito, a graça transbordou”. E mais uma outra tradução: “Onde, porém, se
multiplicou o pecado, a graça transbordou”.
O pecado é essa separação da
vontade de Deus. Mas o que é “graça”? A graça é uma provisão a qual temos acesso
através de Cristo. Fé e amor são frutos da graça. O Catecismo da Igreja Católica
explica que a graça é santificante e deificante.
Eu fiquei tão inquieto
em descobrir o que é graça “deificante”, que telefonei para Dom Beni (Bispo de
Lorena – SP) e ele me explicou: “Diácono, a graça deificante é uma pessoa. Essa
graça é o Espírito Santo”.
É o Espírito Santo que nos leva a esta
filiação a Deus. A graça é o próprio Espírito Santo! E esta graça é mais
abundante que nosso pecado.
Hoje, Sexta-feira Santa, é um dia de
recolhimento. Não é um “teatro” o que estamos fazendo! Muitos nem sabem a
importância do dia de hoje, a graça própria deste dia.
A graça de Deus é
sobrenatural. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina no número 2005: “Sendo,
como é, de ordem sobrenatural, a graça escapa nossa experiência e só pode ser
conhecida pela fé”. Uma doença encarada com fé pode também conter uma bênção!
O sofrimento, quando é oferecido, pode conter uma graça para nossa
vida.
Para muitos que estão nas seitas, pensando que a bênção
está tão somente “no carro zero”, no serviço próspero e por aí vai, saiba: a
Providência Divina também se manifesta naquilo que Deus não nos
concede.
Hoje é o dia em que aprendemos essa verdade: a graça veio a nós
a partir de uma desgraça... Afinal, por que bateram tanto em Jesus? Por que lhe
deram tapa na cara? Meus irmãos, que pecado Cristo cometeu? Minha gente, eu
carrego esse Crucifixo comigo há bastante tempo. E, olhado para ele, eu me
recordo que não foi um “boneco” que foi pregado na Cruz! Foi alguém de carne e
sangue!
Esse Crucifixo está no peito daquele homem que vende cachaça para
aquele pai de família e ajuda a destruir o seu lar. Esse Crucifixo está na
parede daquele motel. Esse Crucifixo está no peito daquele paciente abandonado e
jogado num corredor de hospital, onde não tem nem médico para o atender. Esse
Crucifixo está no peito de um pecador que sou eu! Pelo amor de Deus, não foi um
boneco! Foi Jesus! Foi alguém de carne e osso. Esse Crucifixo não é um
enfeite!
Jesus teve medo. Quem aqui teve medo também? Ele sentiu solidão.
Como você. Ele entende seu coração. E apesar das escolhas erradas que você faz
em sua vida, Ele jamais o abandona. Que honra você tem prestado ao
Crucificado?
Quem aqui pode imaginar a dor de uma mãe em perder seu filho? Essa é
a dor que não tem nome. E essa foi a dor de Nossa Senhora.
Aquela mãe com o filho no braço... Não era um filho qualquer,
minha gente! Era Jesus. Ela [Nossa Senhora] o carregou em seu ventre materno. O
amamentou. Viu seu filho crescer. Aos doze anos, Maria se perdeu de seu filho.
Começa uma procura angustiante ao lado de seu esposo José. E ela o reencontra
onde? No Templo, ou seja, na Igreja.
Você que é mãe, que é pai, onde
encontrará seu filho perdido? Na Igreja! É lá, rezando. Seu filho é um “velho”
de 15 anos, cheio de vícios e rebeldia. E onde você vai encontrá-lo? Na oração
perseverante dentro da Igreja. Vá adorar a Jesus Eucarístico! Permaneça na
Igreja.
Tem gente que diz: “Eu não tenho tempo para Deus”. Vive se
matando de trabalhar para dar o “melhor” para seu filho. Dá tudo. Menos Deus!
Esse Deus que deu a vida por você.
Ainda pequenos, fale de Deus
para seus filhos. Leve-os à Santa Missa. Eduque suas crianças a assumir a Missa
dominical como um compromisso. Não troque Deus por nada.
Chega
de tanta ingratidão! Tem gente que nem agradece antes o alimento que come. É
preciso ter um coração agradecido. Tudo na vida de seu filho terá sentido,
quando você der Deus a ele.
Tem pessoas que ficam angustiadas porque não
conseguem uma hora para orar, mas não agradecem a Deus pelo dia ensolarado, ou
pela chuva que Ele nos dá. Não sabem agradecer a Deus pelas coisas simples que
Ele nos oferece a cada dia.
O amor de Deus por nós é muito maior
que o nosso pecado. Vamos errar e, mesmo assim, Cristo continuará nos
amando.
Muitas vezes, Deus demora para nos conceder determinada
graça. E isso também é uma graça para nós! Às vezes, não compreendemos aquilo
como sendo uma graça de Deus. É como acontece quando contemplamos essa dor sem
nome, a mesma dor que Maria sentiu com o corpo desfigurado de seu Filho nos
braços. Meu Deus, que graça para nós! Tem que ter muita fé para entender essa
dor que não tem nome. E é preciso ser muito indiferente para não valorizar tanto
amor!
No “sim” de Maria estava a bênção para todos nós. Jesus veio ao
mundo e tirou o pecado do mundo. Ao morrer na Cruz, Cristo enfrentou a maior
consequência do pecado: a morte. Ele morreu. Durou três dias a festa no inferno.
Mas o que aconteceu ao terceiro dia? Jesus ressuscitou!
Nós jogamos em
Deus a culpa que cabe a nós! Por que aquele rapaz se acidentou de carro? Porque
estava a mais de 140 Km/h onde a placa dizia que o limite era 80 Km/h. Por que
aquelas pessoas morreram na enchente? Porque aquela autoridade deu um alvará
para se construir casas numa área de risco. Todos temos nossa parcela de
responsabilidade. Tem gente que sofre no casamento, porque não ouviu o conselho
do pai e da mãe e acabou casando por pura teimosia. Estou falando alguma
mentira? É muito fácil jogarmos a culpa do que vivemos em Deus.
Paremos
de reclamar da nossa vida, meus irmãos. Agradeçamos mais a Deus. Precisamos
crescer e deixar de ser tão chatos. Reaja! Levante a cabeça e perceba o quanto
Deus ama você. É a fé que nos põe em pé.
Diácono
Nelsinho Corrêa
Comunidade Canção Nova