domingo, 18 de novembro de 2012

Achamos que sabemos

Outro dia assisti a um filme no DVD do qual nunca tinha ouvido falar – talvez porque nem chegou a passar nos cinemas. Chama-seVida de Casado,um drama enxuto, com apenas 90 minutos de duração e jeito de clássico.Gostei bastante. Um homem casado há muitos anos se apaixona por uma belagarota e com ela quer viver, mas não sabe como terminar seu casamentosem que isso humilhe a venerável esposa, então decide que é melhormatá-la para que ela não sofra: não é uma solução amorosa? Não tem obrilhantismo de um Woody Allen, mas o roteiro possui certo parentescocom Crimes e Pecados. Se fosse possível resumir o filme numa únicafrase, seria: “Ninguém sabe o que está se passando pela cabeça da pessoaque está dormindo ao nosso lado”.
Será que nós sabemos, de verdade, o que acontece a nossa volta? Achamos que sabemos. (…)
Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências, saudades,desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar que sabemos.
 
 Martha Medeiros

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