Outro dia assisti a um filme no DVD do qual nunca tinha
ouvido falar – talvez porque nem chegou a passar nos cinemas. Chama-seVida de
Casado,um drama enxuto, com apenas 90 minutos de duração e jeito de
clássico.Gostei bastante. Um homem casado há muitos anos se apaixona por uma
belagarota e com ela quer viver, mas não sabe como terminar seu casamentosem
que isso humilhe a venerável esposa, então decide que é melhormatá-la para que
ela não sofra: não é uma solução amorosa? Não tem obrilhantismo de um Woody
Allen, mas o roteiro possui certo parentescocom Crimes e Pecados. Se fosse
possível resumir o filme numa únicafrase, seria: “Ninguém sabe o que está se
passando pela cabeça da pessoaque está dormindo ao nosso lado”.
Será que nós sabemos, de verdade, o que acontece a nossa
volta? Achamos que sabemos. (…)
Achar é o mais longe que podemos ir nesse universo repleto
de segredos, sussurros, incompreensões, traumas, sombras, urgências,
saudades,desordens emocionais, sentimentos velados, todas essas abstrações que
não podemos tocar, pegar nem compreender com exatidão. Mas nos conforta achar
que sabemos.
Martha Medeiros
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