Um coração inquieto, ansioso e ferido não sabe esperar
É graças à esperança que, a cada manhã,
somos renovados e, desta forma, podemos recomeçar. Ela é a força que
vai além do cansaço, do tédio e da rotina; e quando encontra espaço no coração
humano, tem o poder de purificá-lo, dando-lhe uma nova disposição para viver
cada momento como se fosse o mais esperado da vida.
Seja por meio de livros, músicas, mensagens
ou partilhas, o certo é que, nesses últimos dias, Deus tem me levado a refletir
e a rezar sobre a esperança. É evidente que o mundo padece por falta de amor! Mas interessante é
perceber que este sentimento necessita da esperança para existir e crescer.
Nesse caso, o que realmente nos faz padecer, em pleno século XXI – considerado o
século da tecnologia que coloca "tudo ao alcance do homem" –, é justamente a
falta de confiança. Talvez, por estar cercado de facilidades, o homem perdeu o
sentido da espera, desconhece as riquezas que este tempo lhe proporciona. E,
muitas vezes, deixa-se levar pela sede do ter e do poder imediato, mergulhando,
assim, no vazio da inquietação que o leva ao desespero.
Um
coração inquieto, ansioso e ferido não sabe esperar nem amar. Se dermos
um pouco mais de atenção aos nossos sentimentos e olharmos ao nosso redor,
veremos que, quando o amor estaciona ou esfria em nossa alma, na maioria dos
casos, é porque está sufocado por preocupações, medos, desconfiança e desânimo.
Jacques Philipe, ao falar sobre isso em seu livro "A liberdade
Interior", afirma:
"Devido à falta de esperança, não cremos
verdadeiramente que Deus possa nos fazer felizes, e, então, construímos uma
felicidade com nossas próprias riquezas. Não esperamos que Deus nos possa fazer
existir em plenitude, e construímos uma identidade e uma felicidade artificiais,
pois não acreditamos no amor puro e verdadeiro que o Senhor tem por nós, por
isso nos perdemos tentando preencher o vazio que essa descrença nos causa (...)"
Constatamos que esta é uma situação muito comum entre nós cristãos,
dotados de boa vontade. Gostaríamos de amar intensamente e ser generosos na
doação de nós mesmos aos demais, mas somos paralisados por medo, desconfiança, e
outros "monstrinhos" que, na maioria dos casos, somos nós mesmos quem os
cultivamos, frutos de nossas expectativas frustradas. E aí está um ponto muito
importante: as decepções mal trabalhadas em nosso interior ou sufocadas pelo
orgulho, acabam afetando nossa confiança na graça de Deus. Acredito que este
seja o principal motivo do desespero que assola a humanidade em nossos dias. Santa Terezinha revela: "A
confiança sempre conduz ao amor". Se confiarmos mais no poder do amor, seremos
mais dóceis na espera, viveremos com mais serenidade e, conseqüentemente, mais
felizes.
Quando tudo parece desabar diante de nós, quando vivemos a
difícil experiência da perda ou decepção e vemos sonhos destruídos, quando não
temos as respostas que desejaríamos obter, é preciso, mais do que nunca,
mergulhar na fé, pois esta nos aproxima da verdade transmitida pela Palavra de
Deus e nos recorda sua fidelidade absoluta no cumprimento de Suas promessas.
Mestres da sabedoria afirmam que "é a falta de esperança que perde as almas".
Sabendo disso, precisamos reagir!
Diante de uma alma desesperançada, o primeiro
ponto é identificarmos a raiz do desânimo, oferecendo a ela o "remédio" certo: a
esperança, alicerçada na Palavra e no amor de Deus. Que o Senhor renove, hoje,
em nossas almas, a disposição para esperar n'Ele para que, apoiados em Suas
promessas, possamos viver a graça do amor.
Dijanira Silva
Missionária da Comunidade Canção Nova, atualmente reside na missão de São Paulo. Apŕesentadora da Rádio CN América (SP).
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